Maria Fernandez – Redação UFSC à Esquerda – 13/06/2022
Os trabalhadores municipais de São José – SC – entre eles trabalhadores da assistência social, saúde e educação – em assembleia no dia 10/05 deliberam entrar em estado de greve devido a resposta do prefeito sobre a pauta de reivindicações da Data Base 2022. A greve propriamente foi deflagrada em assembleia que ocorreu em 26/05 e definiu data de início do movimento paredista para o dia 31. A decisão pela greve foi tomada pela categoria depois da resposta insuficiente do executivo municipal enviada ao sindicato Sintram- SJ (Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público de São José).
As pautas da categoria, além de reposição das perdas inflacionária também abordava melhores condições de trabalho para qualificar o atendimento a população. Durante a assembleia que deflagrou a greve os trabalhadores expuseram as dificuldades que as perdas salarias têm implicado até mesmo para alimentação dos mesmos. O congelamento dos salários [e piorado diante de um contexto inflacionário e onde o município teve economia nos últimos anos.
Entre as principais pautas estava a perda salarial de 2022, o vale alimentação, a convocação de concursados, o piso salarial e o abono de faltas de greve de 2021. Depois da assembleia os servidores foram entregar o ofício com reivindicações ao executivo, mas foram impedidos de entrar na prefeitura pela Guarda Municipal. Só depois de muita negociação apenas alguns representantes do comando puderam entrar para realizar a entrega.
Ao longo da greve os trabalhadores além de realizarem assembleias para discutir as propostas da prefeitura, também fizeram vigílias e protestos em frente a prefeitura e realizaram uma caminhada pelos principais bairros da cidade para conversar com a população sobre os motivos da greve. Com a falta de propostas concretas mais trabalhadores aderiram a greve no decorrer do movimento.
Depois de 10 dias de greve a categoria aceitou a proposta da prefeitura e retornou ao trabalho nesta segunda-feira, 13/06. Na sexta-feira passada, 10/06, os servidores decidiram encerrar a greve depois de contraproposta da Prefeitura, a proposta não atendeu todas as reivindicações da categoria e por isso teve uma votação dividida. As principais reivindicações atendidas, segunda site do SINTRAM- SJ foram:
– a chamada de novos concursados a cada vaga em vacância a partir de agora para todas as áreas;
– o abono das faltas da greve de 2021, a Greve em Defesa da Vida;
-o aumento do vale alimentação;
– a garantia que terá eleição direta para diretores das unidades escolares ainda este ano;
– o compromisso do estudo e implementação do plano de carreira de pós-graduação do magistério;
– e o compromisso do cumprimento das leis do piso da Enfermagem, dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias tão logo o financiamento federal esteja previsto no orçamento municipal.
– a aplicação do piso dos técnicos de radiologia, o projeto de lei será enviado para a Câmara de Vereadores.
A reposição inflacionária ficou em 12,47% e já foi paga na folha de maio, o vale alimentação também foi estendido a todos os servidores com aumento de 20%, seu valor nominal ficará em R$ 500,54 e o reajuste do piso nacional do magistério se deu por decreto. Não foi atendida a reposição das perdas salarias de 2020 e nem foi alterada da carreira de pós-graduação no magistério apesar do compromisso de continuar os estudos para tanto.
Os trabalhadores seguem na luta e agendaram para agosto nova assembleia para avaliar o cumprimento das negociações e demais pautas, nova mesa de negociação ocorrerá em 11/07 para pautar especificamente pontos da Assistência Social. A proposta da prefeitura aceita pela categoria na integra pode ser acessada aqui: http://sintramsj-cut.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Oficio-1107.2022-_0.pdf
A luta pela chamada de trabalhadores concursados é essencial para a manutenção de um atendimento de qualidade no serviço público e para aliviar a sobrecarga dos trabalhadores. Ao longo da greve os trabalhadores denunciaram que as propostas do prefeito Orvino não atende a chamada necessária de servidores, mas aumenta comissionados e terceirizados. A luta dos servidores, pelas questões salariais e condições de trabalho, mostrou a população a necessidade de lutar para garantir um atendimento de qualidade.