[Opinião] Goiânia, o crânio, o cassetete, a polícia militar, a extrema direita e a Palestina.

 

José Braga* – Redação UàE – 03/05/2017

 

Goiânia. Um cassetete quebrou em pedaços. Quebrou golpeando a caixa craniana. E a caixa craniana de Mateus quebrou. Bombas de gás cortando os céus e cortando as multidões, no Rio de Janeiro. As prisões de Juracy, Luciano e Ricardo em São Paulo. O ombro deslocado e a prisão de uma estudante em Florianópolis. A prisão de Hassan, a mando da extrema direita, também em São Paulo. E tantos e tantos mais.

Da Greve Geral do dia 28 à noite do dia 02 maio, a polícia militar nos diferentes estados do país arreganhou novamente os dentes. Colocado em ação frente à luta dos trabalhadores, o aparato coercitivo do Estado não tem dúvidas ao que veio: criar o medo, violentar, dissuadir qualquer possibilidade de por em jogo a ordem burguesa. E ela aparece com suas armas “não letais” contra a luta organizada nas ruas, ou com suas armas de chumbo no dia-a-dia da maioria de nossa classe – nas periferias, nas favelas.

Tanto mais evidente quando sob os uivos da direita raivosa e xenófoba reprimem os refugiados palestinos. Ou quando tentam com os gases sufocar o grito contra as reformas de Temer e dos empresários. As fardas tem classe, e não é a nossa. E enquanto se colocarem do lado da burguesia, enquanto seguirem disparando contra nossos corpos na luta política, na luta da vida, suas lágrimas não merecerá nossa solidariedade.

O cassetete quebrou em Goiânia. Quebrou a caixa craniana. Mas, Mateus acordou do coma. Que quebrem seus cassetetes. Não quebrarão Mateus. Não quebrarão Juracy, Luciano e Ricardo. Não quebrarão Rafael Braga. Nem a memória de Amarildo e de Cláudia. Não quebrarão Hassan, e a ideia viva que nossa classe não tem fronteiras. E que continue quebrando em tantos, não significará nunca que nos quebrará a todos. Não quebrará nossa classe, nossa luta.

Vai acabar. Faremos acabar.

 

*O texto é de inteira responsabilidade do autor e pode não refletir a opinião do Jornal.

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