[Opinião] O diagnóstico e o ensino remoto na UFSC

Nina Matos – Redação UàE – 17/06/2020

Foi divulgado na segunda-feira (15) o resultado do diagnóstico institucional realizado pelo Subcomitê Acadêmico de Combate à Pandemia da UFSC. O diagnóstico foi realizado entre as três categorias (docentes, técnicos e discentes), e contou com a participação de 92% dos docentes, 63% dos técnicos e 63,5% dos discentes.

De acordo com o levantamento é possível dizer que de modo geral tanto os docentes, quanto os técnicos e estudantes têm as condições necessárias para a implementação da continuidade do semestre através do ensino remoto — condições que seriam desde materiais de acesso à internet, computadores de uso individual e  privacidade em casa para realizar as atividades remotas; e também a disposição de continuar as atividades remotas (no caso de docentes e discentes).

Esse questionário parte de intensas discussões após a Câmara de Pós-Graduação (CPG) aprovar, em uma reunião atropelada, uma minuta que permitia a retomada não-presencial das atividades de ensino, que foi tendenciosamente “divulgada” pelo ex-colunista do NSC, Cacau Menezes, em seguida ao término da reunião. Um Conselho Universitário (CUn) extraordinário foi chamado ainda na mesma semana, contudo, apesar das denúncias feitas pela Associação da Pós-Graduação (APG), mal houve discussão sobre, apenas foi possível que a minuta não fosse apreciada.

Desde então, as poucas discussões que foram realizadas pelo movimento estudantil giravam em torno da dificuldade de acesso dos estudantes, de questões de saúde mental, e de que a reitoria precisava saber da realidade dos estudantes para instituir uma modalidade de ensino não-presencial.

O resultado do levantamento foi divulgado nas redes sociais da UFSC com certo orgulho, principalmente em relação à adesão. Apesar de aproximadamente 30% dos estudantes e dos técnicos não terem respondido o questionário, isso sequer é levado em consideração. Não se sabe por qual motivo essas pessoas deixaram de responder e nem se especula (publicamente) sobre o que isso significa.

Já o Diretório Central dos Estudantes (DCE) se manifestou em repúdio a forma como foram apresentados os dados, alegando que foi feito de forma tendenciosa e mentirosa. Tanto a APG quando o SINTUFSC não se manifestaram até o momento.

https://www.facebook.com/dceluistravassosufsc/posts/2982077288580080

CEB decide pelo ensino remoto

Na tarde de ontem (16), o Conselho de Entidades de Base (CEB) discutiu sobre a retomada do semestre através do ensino remoto. Muitas das falas se pautavam na inevitabilidade de manter a “universidade parada”, e que levando em conta que tal situação do isolamento deve se manter por mais um ano, a necessidades dos estudantes se formarem logo, pois o ensino superior é uma maneira de “ascensão social” importantíssima. Por 16 votos, a proposta de defender o ensino remoto, contanto que existam as garantias de acesso e preparo docente, foi aprovada.

A forma como os vários segmentos dentro da universidade discutem sobre o ensino remoto tem sido didática sobre suas visões acerca da universidade pública. À reitoria independe as formas como o dinheiro entra na universidade, ou como seus alunos se formam, e isso já é de conhecimento público desde as discussões feitas sobre o Future-se, onde a única crítica realizada era meramente a administração por Organizações Sociais e um medo de que o governo diminuísse o orçamento. Já o movimento estudantil, através das entidades aparelhadas por uma série de partidos, parece perder o pudor de dizer que a construção do conhecimento é secundária. A possibilidade de ascensão social, como argumentam, por meio da formação universitária deixou de ser realidade a tempos para boa parte dos cursos, basta ver as condições de vida e de trabalho das pessoas formadas em licenciaturas ou pedagogia, ou quantas pessoas com ensino superior estão hoje na informalidade.

Desde o princípio das discussões sobre o ensino remoto a única bandeira que conseguiam levantar era a da dificuldade de acesso material e psicológico dos estudantes, em momento algum conseguindo avançar no que significa continuar o semestre em meio a uma pandemia, nem mesmo levantar debates sobre, de forma a organizar o movimento estudantil para podermos travar as lutas que fossem necessárias. Se hoje o ensino remoto é inevitável, é preciso saber que se deve ao imobilismo já tão conhecido das entidades que se ausentaram por três meses da sua tarefa principal.

Leia também: [Debate] Onde estão as entidades estudantis da UFSC?

Agora, a etapa seguinte é próxima reunião do CUn, que foi adiada, e ainda não tem data marcada, após conselheiros questionarem a forma atropelada que a reunião foi chamada — com menos de 48 horas de antecedência, sem o envio da minuta a ser discutida, e tendo em vista que os comitês sequer finalizaram suas discussões. Esta reunião tem como objetivo referendar uma decisão que já foi tomada, ajustar uma ou outra coisa para sair melhor na foto, e deixar sucatear a formação e as relações de trabalho dentro da universidade.

*As opiniões aqui expressas são de responsabilidade da autora e podem não representar a opinião do jornal.

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